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Ben.

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Ben.

Mensagem por Convidad em Ter Fev 19, 2013 3:06 pm


- Bem vindo de volta. - Sua voz suava calma e etérea nos meus ouvidos, mas ao mesmo tempo ameaçadora, um tom de mãe brava em local público. Meus olhos estavam confusos. Não conseguia enxergar nada direito. Nada fazia sentido. Pisquei várias vezes até finalmente consegui entender o que acontecia ao meu redor. Centenas de crianças com armaduras gregas batalhavam entre si num duelo que parecia durar semanas, a grama perdia seu tom verde para um vermelho escuro de sangue. Não havia vestígios de que já tivesse havido paz naquele lugar. - Não há tempo para explicar. Apenas saiba que é isso. - A primeira voz que havia escutado falou novamente e pude ver um homem vestido de preto com o rosto coberto sentado ao meu lado indiferente a cena de horror que havia a uns 40 metros de nós.
Ele se virou para mim e sua boca ficou visivel,havia sangue dourado escorrendo de seus lábios. - Eu... - Ele deu um fraco sorriso que logo foi substituído pela expressão de pesar que carregava a segundos antes. - Não se preocupe garoto. Nada aqui te afetará... Não agora. - Fiz uma expressão de alívio mas não pareceu a coisa certa diante do massacre a frente. Ele se aproximou e seu rosto se tornava mais claro. Pele clara,boca sangrando,um nariz quebrado. - Você está tendo uma visão meu jovem - Ele apontou para a batalha - É isso que irá acontecer, um futuro próximo... - Ele baixou a mão colocando-a novamente ao lado do corpo. - Deve aproveitar esse presente que estou lhe dando. - Uma menina havia acabado de cair e seu corpo inerte espirrava sangue pela grama, vestígios de uma vida finalizada pela guerra. Tudo isso que você está vendo ainda pode ser evitado. Mas seu tempo será curto. - Houviu-se um barulho de um outro exército marchando. - Só tenho permissão de lhe mostrar até aqui. O homem acenou e a cena toda se dissipou em poeira alaranjada que subia diretamente da grama.
Agora estávamos sentados no vazio. No vazio... Não havia nada. Apenas eu e ele. - Está na hora de você voltar. Use essa visão com sabedoria garoto, ou ela acontecerá O homem desapareceu e minhas pálpebras faziam força para se fechar, eu não conseguia resistir. Fechei os olhos e mergulhei em escuridão, não maior do que a que meu corpo estava.



Eu não tinha certeza de nada


Um grito esganiçado me fez despertar. E o que via parecia ser ainda mais confuso do que tinha acabado de acontecer comigo. Um garoto, usando uma armadura grega brandia sua espada contra uma mulher com asas nos braços, por alguma estranha rasão isso me pareceu normal enquanto do outro lado do meu campo de visão o mesmo homem que havia visto na cena da guerra estava sentado observando calmo. Isso me parecia desumano - Você é mesmo inútil assim? Ou está apenas fingindo? - Eu gritei para o homem. O menino que lutava com a garota-de-asas olhou para mim magoado. - Não você. Ele... - Falei apontando para o homem. O garoto olhou para mim como se eu fosse maluco e voltou a lutar com aquela estranha mistura. - Só eu posso vê-lo - Eu perguntei.
- Exatamente Ben. Seu amigo não pode vê-lo - Ele ainda tinha a mesma voz que me irritava profundamente
- Então... Eu sou louco? - Eu coloquei minha mão na testa para checar minha temperatura. E o homem sorriu.
- Não Ben... Você é um semideus. Não há como ser mais louco. - Ele apontou para uma colina ao longe. - Você deve correr até lá Ben. Não há tempo para explicar, lá saberá de tudo. -
- Tá. Mas e ele? - O menino parecia dominar a luta.
- Receio que o tempo dele no nosso mundo acabe agora. - Feito. Na mesma hora a garota com asas desferiu um golpe com suas unhas do tamanho do meu dedo no local onde ficava o coração do garoto. Eu não conhecia o garoto. Pelo menos não me lembrava dele. Mas aquilo me fez sentir mal.- A não ser que deseje isso. Corra! Não pare até ver uma construção enorme de casa de campo. - O homem desapareceu novamente e eu estava sozinho com a garota-com-asas.
Sorri. Quem sabe se eu fosse amigável ela não me matava? Não... Ela ia me matar. Avançou para cima de mim e eu corri. Corri na direção que o homem havia mandado, para cima da colina até avistar uma grande construção. Eu olhei para trás por um segundo. A menina não desistia de me perseguir. Suas garras afiadas apontadas para minhas costas. Ela esticou o braço e senti suas unhas frias percorrendo minhas costas e rasgando minha camisa, mais do que isso, senti meu sangue escorrendo pelas costas e uma dor insuportável possuindo meu corpo. Meus passos foram ficando lentos, minha respiração pesada. O suor do meu rosto fazia eu me sentir cansado.
Finalmente avistei a tal construção, ela estava muito distante. A garota cortou minhas costas de novo. E eu não aguentava mais ficar de pé, meu corpo pesava toneladas naquele momento. Baque! Meu joelho bateu contra a grama. E eu cai deitado no chão esverdeado. A garota se aproximava do meu peito, senti que ela iria repetir o que havia feito com aquele garoto no pé da colina. Flechas voaram e eu não conseguia ver mais nada. A perda de sangue parecia ter sido fatal.

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